Anonymous asked:
Hayo! Just read the message now, sorry.
It’s very good that you’re trying to help animals somehow. They need us…
Thank you :) By the way, where are you from?
Anonymous asked:
Hayo! Just read the message now, sorry.
It’s very good that you’re trying to help animals somehow. They need us…
Thank you :) By the way, where are you from?
Sirvo de ouvinte pras piores lâminas
Elas adoram esta dança, são vãs animas
Mas não m´animas, aliás, roubas-me a alma,
Tiras-me a calma, enalteces-m'o trauma
D´viver num corpo d´fêmea,
Não bastasse, deram-me outra (alma) gêmea
Que não se cala. Bem tento matá-la
Mas ela brinca, ela safa-se
Ela não se irrita, ela acha-se
Mutável demais pra perder tempo com emoções
Faz diss'um malabarismo onde exercita tesões
Mas nunca se satisfaz por completo,
Segredo inquieto, que não admite; - vítima Afrodite,
Até quando vais deixar q'o carnal te finte? (te excite)
Mendicante da sua própria condição, Errante
Abandona tod'a razão, e não quer compromissos
Vagueia vadia, renuncia a morada, prefere abismos
Q'a contemplem; e neles pede abrigo por uma noite (só)
Q'a decifrem: invoca Eros o filho, Ares o pai,
E tod'o delírio vindo duma dor de pó, que não se esvai
Seu amante, Dionísio, traz o conforto do vinho e o alívio,
Do devaneio, a não adivinhação de destino pessoal e alheio
Quer-se o copo meio cheio e sonho que baste
Quimera, folia, imaginação e fecundidade
Sem perder o não-sentido e a ilusão
Duma queda livre sem chão, que interrompa esta loucura!
Somos criaturas!
Monstros transmorfos a inovar culturas absurdas
Em danças primitivas, entregas lascivas a um deus
Êxtases e violências desmedidas, no reino dos céus de Zeus
Ménades enfurecidas, devotas, cultuam Baco e,
Cálice, Silene, Enante num ermo orgíaco espaço
De facto, a luxúria cresce num abraço de caco, num coração d'aço
Onde nos sentimos e somos pântanos de escarro
Viciosos a tudo a que se parece a cigarro, agarramos em tudo
Fumamo-lo amiúde, e adormecemos num desassossego alado
Somos perigosos cactos, rosas espinhosas debaixo deste açaime de lacre
Devoção ao desastre: de não, (nunca) nos encontrarmos
Somos o massacre, de sempre, numa tentativa, tentarmos
Coisa alguma. Gémeos em monólogo de diálogos de pluma
Marte, se não me salvas, mata-me;
Vénus, se não me amas, desfaz-me
Corto-me em charme, sangue lunar e espasmo
D'um corpo surreal de sarcasmo,
Onde Asmodeus encarna o orgasmo
De ser o homem mais impuro já nascido,
Trouxe guerra entre a luxúria e o Cupido
E Lilith, renunciou à sagrada planície,
‘Pra viver junto dum homem alado de três cabeças de precipício
Intempérie, algo que a vicie e aqueça,
Mais qu'a tentação das estepes, ela cria a tempestade e a doença
Morte e ventos breves onde se une na Criação como serpente
Áspide, seduz o provar da semente, e provoca
Ela sufoca, à volta do pescoço da humanidade
Reza 'pra que não rezemos e não vejamos o construir da Cidade
Pinturas rupestres nascem entre sangue de sacrifícios
Extractos de folhas, ossos e ofícios, tantos, de tantos povos
Já não se fala de Vida nem de Conhecimento
Já não se usa dialecto, só fumo cinzento; habitamos um convento
Perverso e discreto de Cimento
Nosso deus, nosso servo, ávido e avarento
Celebramos a era do ruído onde o silêncio é mal visto
Íngreme, não consigo, suportar estas vozes vorazes no meu ouvido
Capazes de te por a gritar e irromper o silêncio q'anseias
Anciã, perdoa-me a estranheza estrangeira,
Amalteia, permite-me ser digna de pureza como tu e Reia
Que pelo Pai dos Deuses foste oferendada graciosa,
Fertilidade, abundância e riqueza em teus chifres de cornucópia,
Símbolo fértil do equinócio,
Outono feminino e masculino utópico,
Onde bagas, grãos, frutas e folhas brotam no útero da Terra
Marsúpio deveras, que dá à luz híbridos entre pavões e feras
Plantas carnívoras arrastam-se pela Idade das Trevas
Dou um passo e ela avança comigo, Kali Yuga, ciclo, Idade do Vício
E ainda faltam milhares de Eras de desperdício
Liberta-me! sem fuga, quero regressar ao Silêncio,
Renunciar formigueiros e qualquer espécie de casulo
Desaprender tudo e voltar ao valor nulo
Renascer e respeitar as Árvores, deidades
Que nos dão quase tudo;
02:48, 3 Março 2016
:P
“Eu não acredito em gente que dorme com o diabo e deus juntos. Não gosto de gente que não toma posições; pra mim, uma pessoa tem de ter uma posição, mesmo que seja contra a minha” - em
tom erguido e agudo, foram convidadas estas palavras a ressoar no
movimento do lado de dentro do autocarro, setecentos e vinte e sete,
aquando voltava dos mortos, literalmente. Sentia-se na sua voz feminina e
áspera, um certo sossego oscilante e sinceridade ufana, como se se
cuidasse de uma verdade há pouco achada, e tão facilmente achada, como
se se cuidasse de uma descoberta um tanto satisfatória, mas não tanto
quanto isso, não o suficiente para receber retorno, à excepção do comum
abanar de cabeça vertical de rostos alheios, num concordar automático.
Parece medo. Sabia lá se acabara de contar a sua verdade a quem a não
pratica. Talvez, até, e provavelmente, a quem a pratica ao contrário… É
perigoso não conhecer o outro lado e esbanjar premissas sem pedir
permissão. Declara-se inconscientemente, uma sentença a quem fugir à
oração em causa. Mais insuportável ainda, é o consentir dessa sentença
por parte de quem ouve, e abana o rosto labiríntico, evidentemente
metade demoníaco, metade divino. Fiz questão de não querer saber se
estava a ser vista, e olhei pra trás para presenciar a resposta física e
ter certeza do que poderia retirar dali; fiz questão de assombrar-me
olhando os rostos ambíguos e confusos de quem ouvia; fiquei estupefacta
com tamanha imbecilidade, no sentido da grandeza de auto-repressão
espásmica, isenta de coragem e veracidade; ou talvez, tamanha compaixão.
Não sei bem, parece-me a mim que somos todos escravos da confusão
mental, e quando somos confrontados com isso pelos poucos que crêem
dominá-la um pouco melhor, simplesmente queremos deixar de existir
naquele momento, desejamos que haja um erro de existência, uma falha
errante que nos permita dissolver no céu. Tudo se borra como um deslize
de aguarela; toda a nódoa que temos tentado esconder, drasticamente
mancha a realidade do lado de fora; e de tão densa, espessa e escura,
por mais que a tentemos suavizar, não é da sua natureza ser suave, não é
da sua natureza ser ténue, delicada ou graciosa; é exactamente o
inverso, e não dá para amansar nem domar o que é indomável, é claro. No
entanto, ciclos aprisionada, essa mancha monstruosa manteve-se em
cativeiro pelos mesmos que a fazem manifestar ciclos mais tarde, quase
cómico. Há quem reprima a sombra do lado de dentro da jaula do
subconsciente, e há os que a alimentam para ali se manter, acostumando-a
ao seu habitat longínquo e solitário; tal como há quem a desperte
estando-lhe consciente e há quem a continue a alimentar para que
finalmente se manifeste. A intenção da segunda pessoa, a de fora, em
ambas as hipóteses, é a de alimentar, tornando a sombra sempre viva;
seja para a manter reprimida e paralisada, seja para finalmente a
manifestar, numa táctica de enfurecimento, exaltando a pouca serenidade
que restava; como as crianças pequenas e grandes que provocam os
babuínos nos zoos, mal eles sabem o que aconteceria se aquelas
barras de ferro derretessem, pouco lembrariam dos seus rostos se é que
houvesse energia para relembrar de coisa alguma. A intenção da pessoa
que carrega a sombra em questão, deverá ser compreendê-la, mas depende
até que ponto se estende a sua intimidade consigo mesma…
O que é suposto fazer agora? Deixar o monstro sair ou ser devorado por ele?
Sabia
lá, esta mulher, se os seus amigos que a acompanhavam, não teriam
dormido a noite passada com o diabo e deus juntos, e todas as outras
pessoas que a ouviram involuntariamente. Sabia lá, e já deu mais uma
percentagem de si. Sabia lá, e cada uma dessas pessoas não só dorme com o
diabo e deus juntos, como os traz consigo para todo o lado. Sabia lá se
deus e o diabo não se faziam presentes aquando ela mostrou reprovação a
esse facto. Sabia lá e já poderia estar a ser asfixiada num ápice…
Não por deus, não pelo diabo, mas pelas pessoas que se satisfazem mais
com um do que com o outro, ou só mesmo para implicar, com os dois ao
mesmo tempo; a devoção é perigosa e tudo o que leva rumo a ela: a
atracção, a sedução, a fascinação e a perversão, todas elas levam à
persuasão, que é mais ou menos o que esta mulher tentava, ainda que
inconsciente, não se pode dizer que é vítima, a menos que seja vítima da
sua própria devoção, o que é compreensível.
Não sei, porém, a que
força esta mulher se devota e se deita todas as noites. Não posso sequer
palpitar. Posso, pelo contrário, começar a intuir um palpite sobre quem
se deita comigo cada noite, se singular, se plural, e se posso, sequer,
ter algum domínio sobre isso.
Os mortos não devem ter questões como
estas… pelo menos tinha acabado de voltar do seu reino e lá estavam
eles, sorridentes. Menos físicos, é claro, mas sorridentes, o que não
quer dizer nada. Prende-nos o facto de alguém (ainda que morto) sorrir.
Já os babuínos, que estão bem vivos, são sombras nossas esquecidas e
humilhadas, a cada sorriso com espírito que damos em frente da sua
gaiola, a gargalhada, essa flecha, que me tem dado ódio observar como a
lançam. Seres que ocultam o seu espírito e soltam sorrisos espectrais,
deviam deparar-se com a sua cama vazia ao chegar a casa, sem deus nem
diabo, sem nada a que se agarrarem, sem a quem prosternar. Quero agora
ouvir o eco da vossa gargalhada sob o ermo branco dos lençóis e das
paredes! Quero agora ouvir o vosso rugido ou o vosso gemido!
Experimentem só: podem agora conviver com a repetição da vossa erma voz. (e borrarem-se.)
“Is it better to out-monster the monster or to be quietly devoured?”
Friedrich Nietzsche, Good and Evil
12~13(?) Fevereiro, 2016
Voltava para casa: naquela tarde sentia a pressão de estar miseravelmente sozinha entre tanta gente e ruído, semelhanças sem igualdade, nada de novidade; sem sorriso, sem motivo e de espontaneidade minguante, inexpressiva caminhava Morais Soares abaixo, encarando uma máscara, um hábito que não era o meu, em passo leve flutuante, desconfiado e arisco; sustendo a respiração aquando passava entre as nuvens de fumo soprado p’los lábios dos vultos lá fora - acho que foi um novo hábito com que me vesti.
Metro de Arroios: saca da carteira, viola a máquina pedinte com as moedas mais baixas, passa o cartão de acesso à viagem para que portas te abram. “Boa Viagem. O título é válido”. Finge teres finalidade; que a intenção não a tenhas deixado em casa. Relembra o destino e abstrai-te do caminho; afinal somos formigas, mas menos eficazes e próximos: imagem que ilustra bem o ambiente de metro e seus passageiros.
Pronta esperando o comboio subterrâneo, estudo as pessoas e esqueço-me de mim; atropela-me o turbilhão mental, um Negro.
Afrontando-me de perto, estende-me a mão em crosta, lascas de pele suja; mendiga, a tom baixo e rude, por quatro euros, a fim de conseguir entrar no centro de acolhimento ainda naquela noite - início de inverno tardio - como alternativa tinha a rua. Em gesto involuntário volto os braços para trás para alcançar moedas que tivesse e assim lhas coloquei na palma da mão. Curioso e impaciente, chegou mais perto de mim sussurrando: “Tira a mochila com calma…” num gestualizar de dedos e olhar como que puxassem uma corda invisível de mim pra ele, implorando discretamente em tom bizarro e assustador que lhe desse tudo o que tinha. Dei-lhe o pouco que tinha: troco do metro e um olhar neutro, mas empático. Olhou-me insatisfeito, mas grato.
Foi confuso cumpliciar o olhar ávido dele mas agradecido…
A chegada do metro atropelou o nosso encontro: apressada logo entrei na carruagem que se me parou à frente, e é tudo. Já ele, correu depressa mendigando outréns, sem perder tempo, porque todos os instantes são de sobrevivência - e se a dele não correspondia onde dormir naquela noite gélida como me havia dito, haveria de ser tão importante quanto, nem que para comprar a sua morte breve.
Ao menos, ele tinha propósito; eu tinha apenas pressa.
(ensinamento real: 21 dezembro 2015)
When there’s a disappointment, I don’t know if it’s the end of the story.
It may just be the beginning of a great adventure.
I can’t get over this cat on a watermelon